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O INÍCIO – ANOS 1960 E 1970

A formação de médicos no Estado do Amazonas iniciou-se depois da criação da Faculdade de Medicina da Universidade do Amazonas (UA, hoje UFAM) através da Resolução do CONSUNI nº.06/65 de 20/11/1965, instalada em sessão solene em 04/12/1965. Logo depois aconteceu o primeiro vestibular e em maio do ano seguinte (1966) a primeira turma de alunos iniciou os estudos. A formatura desses pioneiros aconteceu em 1971, em sessão solene no Teatro Amazonas, contando com a presença das maiores autoridades do Estado, tal a importância que o curso tinha para a cidade e para a região amazônica. Naquele ano também aconteceu o credenciamento do curso junto ao Ministério da Educação (MEC) através do Decreto nº 69609, de 29/11/1971.

Inúmeros acontecimentos históricos marcaram a cidade de Manaus naqueles anos 60, entre os mais importantes a época da ditadura militar, início da Zona Franca de Manaus, presenciando-se uma expansão da cidade para todos os lados e chegada de pessoas de todo o Brasil.

Os nossos primeiros alunos vinham de toda parte! Metade era daqui e a outra metade de diferentes estados brasileiros (“excedentes”). Muitos deles aqui se fixaram, construíram suas famílias, vidas e profissão.

Um dos fatos marcantes do início (década de 70) foi a doação de grande gleba de terra ao lado do INPA destinado a albergar o Campus Universitário da UA. Naquele mesmo período cria-se o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) no “Mini-Campus”, nosso maior aliado na formação médica. Os alunos até hoje iniciam o “ciclo básico” no ICB e depois completam os estudos na Faculdade de Medicina, ao lado do HUGV. As distâncias nos separam em dois segmentos.

Durante o processo de concepção, criação e implantação do curso, tomaram à frente inúmeros idealistas, professores, políticos e cidadãos que não caberia a citação neste resumo. Em 1965, o Presidente do Brasil era o General Castelo Branco. No Estado do Amazonas, capitaneava e fazia as interlocuções o Governador Arthur Cézar Ferreira Reis. Dentro da Universidade do Amazonas, destacou-se o Magnífico Reitor Jauary Guimarães S. Marinho. Instalou-se definitivamente a Faculdade de Medicina pelo Conselho Universitário da época.

Como toda instituição nova, existiram muitas dificuldades iniciais, superadas nos anos sessenta e setenta. Manaus era uma cidade pequena (cerca de 300.000 habitantes), contava com poucos médicos (cerca de 80) e era distante dos grandes centros. Além disso, havia profissionais contrários à sua criação nesta capital. Mesmo com tudo isso, o curso iniciou funcionando precariamente nas dependências de um antigo grupo escolar (“Plácido Serrano”, apelidado de “Tio Patinhas”) aos fundos do Hospital Getúlio Vargas, que também iniciou suas atividades no ano de 1965. Vários professores desbravadores e empreendedores fizeram a faculdade funcionar.

Havia esforços hercúleos e garra descomunal dos estudantes das primeiras turmas. Em 1967, foi construído o prédio da “escola médica”, o mesmo que ainda utilizamos hoje, na Rua Afonso Pena, 1053, Praça 14 – cruzando com a antiga “Boulevard Amazonas”. Por outro lado, o Hospital Getúlio Vargas (hoje HUGV) aparelhado, junto com seu Pronto Socorro e um ambulatório (Ambulatório Araújo Lima – AAL) também começaram a funcionar. Nestes dois locais nossos estudantes tiveram grande parte dos cenários de prática para o “ciclo profissional”, em especial nas áreas Clínicas Médica e Cirúrgica. Outra grande parte de cenários era espalhada pela cidade de Manaus, o que ainda hoje é nossa realidade.

 

O PERÍODO INTERMEDIÁRIO – ANOS 80, 90 

Nos anos seguintes (décadas de 70, 80, 90), passamos por um período de consolidação do curso. Foi criada a Faculdade de Ciências da Saúde (FCS) que reunia três cursos: Medicina, Odontologia e Farmácia. Esta estrutura tornou-se uma das mais complexas da UFAM em todos os sentidos. Visava otimizar esforços, permitindo realizar práticas multiprofissionais. A estrutura administrativa e pedagógica ficava fragmentada entre o ICB, Medicina, Odontologia e Farmácia. As práticas eram espalhadas pela cidade em múltiplos locais, serviços de saúde, hospitais e postos de saúde. Além disso, iniciavam os estágios no interior do estado do Amazonas através do Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária - CRUTAC que cresceram e hoje se apresentam como importante referencial de nosso curso. Em 2007, a FCS foi desmembrada.

Paralelamente, outro fato histórico merece menção. Em 1982, todo o patrimônio do HGV, do Estado do Amazonas, foi transferido para a UFAM, transformando-se no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV). Registre-se que nos anos anteriores tinha havido discussões calorosas sobre o fato do curso permanecer no quarteirão do HUGV ou de ser transferido para o Hospital Adriano Jorge e adjacências, tendo sido vitoriosa a primeira proposta.

A partir de 1971, nossos egressos (médicos) passaram a ocupar o vazio profissional existente na cidade de Manaus, municípios do interior e toda Amazônia Ocidental (Acre, Rondônia, Roraima, interior do Amazonas e parte do Pará). Deve ser registrado que durante 30 anos a UFAM colocava no mundo profissional cerca de 100 médicos por ano, sendo a única formadora de médicos para a Amazônia Ocidental. Muitos egressos voltaram para suas cidades de origem para por lá trabalharem.

Existem 19 (dezenove) Faculdades de Medicina na Região Norte, graduando cerca de 1200 médicos nesta região.

Na esteira da história de Manaus (anos 70, 80, 90) vemos a criação de vários hospitais, cuja “sementeira” foi a nossa Faculdade de Medicina, incluindo-se: Hospital de Moléstias Tropicais “Dr. Heitor Dourado” (IMT-HVD); FHEMOAM – Fundação Hospitalar Hematologia e Hemoterapia do Amazonas; FCECON – Fundação Centro de Controle de Oncologia e Hospital Francisca Mendes (HFM), especializado em doenças cardíacas. Os nossos egressos passaram a ocupar as lacunas vazias dos diversos serviços de saúde pública e privada: Maternidades, UBS (Unidades Básicas de Saúde), serviços de urgência e emergência, serviços de Pronto Atendimento e hospitais consolidados na capital (Ex.: Pronto Socorro 28 de Agosto, Pronto Socorro João Lúcio, FUAM – Fundação Alfredo da Mata – Dermatologia e Venereologia; Hospital Adriano Jorge, Hospital Beneficente Português, etc.), bem como o Instituto de Medicina Legal (IML) e muitos outros locais.

 

ANOS MAIS RECENTES – 2000 a 2015

Muitos e novos desafios aparecem a partir do início deste milênio. A antiga Manaus da “Era da Borracha”, a pacata e provinciana cidadezinha que tinha dado o início à “Escola Livre de Manáos” fica nas recordações e nas grandiosas construções lendárias. Hoje, temos uma metrópole com mais de dois milhões de habitantes onde atuam mais de 3.500 médicos. Existe uma complexa rede de serviços de saúde, hospitais públicos, clínicas privadas, cooperativas e um Sistema Único de Saúde (SUS) em estruturação na baixa, média e alta complexidade. Exige-se que a escola médica acompanhe esta evolução, formando profissionais voltados para o SUS, em quantidade maior e com excelência na qualidade.

Nossos professores passaram a se qualificar para melhor atender ao curso e

à população. Foram criados mais de 20 programas de Residência Médica para diferentes especialidades (iniciada em 1978, mas incrementada nos anos mais recentes). Criaram-se a Residência Multiprofissional e outros Programas de Pós-Graduação lato sensu e stricto sensu (Mestrado).

Em 2015, apoiamos a criação de mais um curso de medicina, na cidade de Coari, uma vez que aderimos ao programa de expansão proposta pelo Governo Federal, nos moldes das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN-2014), voltados para o SUS, com a promessa de financiamento federal.

Na intimidade de nossos colegiados passamos a discutir profundamente e enfaticamente a “Formação Médica”, resultando em profundas mudanças estruturantes em vários aspectos: (1º) sistemas de entradas: hoje ENEM e PSC; (2º) sistemas de procedimentos pedagógicos: hoje voltadas para metodologias ativas, centradas nos aprendizes; (3º) sistemas de avaliações: hoje mais flexíveis, por desempenho de cada estudante, valorizando-se trabalhos em equipe e competências; (4º) avaliação institucional em sintonia com Planejamento de Desenvolvimento Institucional; (5º) desafio de se construir um curso no Amazonas, pelo Amazonas e para o Amazonas.

Essas discussões são antigas (década de 80), tendo sido iniciadas nos congressos da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM) e depois chegaram ao Ministério da Educação e INEP. Do MEC tem vindo as Diretrizes (DCN-2001 e DCN-2014), passando a exigir formação do médico mais “generalista”, subordinando-se nas necessidades epidemiológicas locais, priorizando a visão sociocêntrica e a atuação no SUS, procurando diminuir a atuação hospitalocêntrica (tanto em nível do mundo da formação, como no mundo do trabalho).

Vieram os “Provões do MEC” na era FHC (década de 90). Logo a seguir surgiu o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação das Escolas Superiores). Nossos estudantes foram submetidos a rigorosas avaliações através do ENADE. Outras avaliações foram feitas no projeto pedagógico, corpo docente e infraestrutura. Fomos surpreendidos com resultados pouco satisfatórios nos anos 2004 e 2007, razão de visitas e auditorias federais. Foram feitas inúmeras readequações, revitalizações e melhorias em praticamente todos os nossos procedimentos, incluindo a implantação de um novo currículo, marcado com forte apoio da UFAM em todos os sentidos.

O que será de nosso futuro? Certamente procuraremos a cada dia a busca da excelência de qualidade. Preocupa a todos a eterna falta de investimento e poucos recursos governamentais destinados para a educação, uma vez que não existe educação de qualidade sem recursos, sem investimento.

 

DADOS GERAIS SOBRE O CURSO

Em 52 anos de existência já graduamos 4041 (quatro mil e quarenta e um) médicos. Atualmente, nosso curso conta com mais de 700 (setecentos) estudantes, 111 (cento e onze) docentes de carreira, 10 (dez) professores voluntários e/ou substitutos, mais de 50 (cinquenta) “preceptores” voluntários e 23 (vinte e três) servidores técnico-administrativos. O curso tem funcionamento integral, duração de 6 anos e exige-se que o aluno dedique 8460 horas de estudo para se graduar. Os dois últimos anos são destinados ao estágio (internato). A entrada dos 112 estudantes é feita anualmente através do PSC (Programa de Seleção Contínua) e ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio) em duas turmas: 56 (cinquenta e seis) entram no primeiro semestre e 56 no segundo semestre. Muitos cenários de práticas são da própria UFAM, mas utilizamos múltiplos locais como cenários de prática em serviços públicos de saúde que se somam mais de 30 (trinta) locais diferentes através de convênios com a SUSAM (Secretaria de Estado de Saúde) e a SEMSA (Secretaria Municipal de Saúde). Além desses locais, os acadêmicos fazem estágio no interior do Amazonas, através de convênios específicos com mais de 10 (dez) municípios. Grupos de estudantes são alocados em um município, atuando em regime de supervisão e preceptoria por 3 meses.

 

REGISTRO DOS DIRETORES – 1965 a 2018

Os Diretores que ficaram à frente da Faculdade de Medicina foram:

  • Mário Augusto Pinto de Moraes (1966-1969)

  • Ernani Araújo de Aguiar Corrêa (1969-1971)

  • José Bernardes Sobrinho (1971-1972)

  • Carlos Augusto Telles de Borborema (1973-1975)

  • Walter Dantas Corrêa de Góes (1975-1981)

  • José Di Tomaso Donadio (1981-1985)

  • Joaquim José de Melo (1985-1989)

  • Alcidarta dos Reis Gadelha (1989-1992)

  • Menabarreto Segadilha França (1993-1997)

  • Elias Vicente da Cruz Santos (1997-1998)

  • José Wilson de Souza Cavalcante (1998-2001)

  • Lourivaldo Rodrigues de Souza (2001-2002)

  • Carlos Augusto Telles Borborema (2002-2006)

  • Paulo Jacob Santiago (2006)

  • Aluízio Valério de Miranda (2006-2007)

  • Juscimar Carneiro Nunes (2007-2008)

  • Edilbert Salomão Brito Filho (2007-2008)

  • Antônio Matos Tavares (2008)

  • Dirceu Benedicto Ferreira (2009-2012) (2013-2017)

  • Ione Rodrigues Brum (2017-dias atuais)

 

REGISTRO DOS VICE-DIRETORES – 1965 a 2018

Ocuparam cargos de Vice-Diretores:

  • Manoel Bastos Lira (1975 a 1993)

  • Luiz Carlos de Lima Ferreira (1993-1997)

  • Lourivaldo Rodrigues de Souza (1998-2001)

  • Maria das Graças de O. Marrocos (2002-2006)

  • Cláudio do Carmo Chaves (2009-2012)

  • Jacob Moysés Cohen (2013-2017)

  • Ivan Tramujas da Costa e Silva (2017-dias atuais)

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